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TANTAS PALAVRAS (ACHADAS E PERDIDAS)

12/04/2004 07:12
ATENÇÃO, CLIENTES

Povo escolhido, a Páscoa passou! E a travessia realmente aconteceu. Sai do Blig e estou no UOL... Olha que coisa mais pascal!

Endereço novo:
tantaspalavras.zip.net

Repetindo:
tantaspalavras.zip.net

Só pra garantir:
tantaspalavras.zip.net


Bjão pra todos e espero vocês na casa nova (ainda em construção!).
enviada por leo parvus



03/04/2004 00:22
SEM TÍTULO

Não é que estou aqui? Tive o cuidado de apagar as luzes antes de ligar o som. Danço - sem me levantar da poltrona - o Tango to Evora da Loreena Mckennitt. Tudo é estático e tem ritmo de tempo perdido. Tive o cuidado de preparar a taça de vinho que seguro. Ambos, a taça e o vinho, são igualmente velhos. Tudo é velho e tem gosto de tempo perdido. Como se olhasse o mundo por cima, cruzo as pernas e bebo com falso desdém. A janela também tive o cuidado de deixar aberta. Como se a noite olhasse - e olha - o mundo por cima, liberta cansada a primeira brisa da madrugada. Tudo é cansado e tem ares de tempo perdido. Não é que continuo aqui? Percebo que, na verdade, não tive cuidado algum... Tudo é solitário e tem alma de tempo perdido.


No dia em que fui mais feliz, eu vi...

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Onde foi que larguei o leão que sempre cavalguei?


* * *

NOTA: Óbvio que o post original NÃO era este. Mas não consegui publicá-lo. Desculpem o surto.
enviada por leo parvus



30/03/2004 01:02
Pessoas Achadas e Perdidas
IDÉIAS ERRADAS



(Não, não é a Cida do BBB)

Esclareço: 'Idéias erradas' é uma canção da Dolores Duran e em homenagem a esta mulher todos os outros títulos serão também músicas interpretadas ou compostas por ela. RW <<<<< Pergunta: Quem é essa aí? Resposta: não é a mistura de Dolores O’Riordam com Duran Duran, trata-se de uma das fodíssimas da década de 50. Autodidata, a mulher aprendeu francês, italiano, espanhol e inglês. Era excelente compositora (Vinicius de Moraes rasgou uma letra sua, porque a de Dolores estava melhor) e excelente intérprete (Ella Fitzgerald disse que a interpretação de Dolores para My Funny Valentine era a melhor que ela já escutara). Só pra se ter noção, ela é considerada um dos ícones do nosso samba-canção e da fossa. Várias de suas canções foram regravadas, mas recomendo em especial o CD As canções de Dolores Duran da Nana Caymmi. Falando em releituras, O SESC Pompéia escolhe mensalmente um compositor para ser homenageado por diferentes intérpretes. A bola da vez foi a nobre desconhecida citada acima. Só comprei o ingresso porque entre as cantoras estavam Fernanda Porto e Zizi Possi. E lá fomos Julio e eu. Por fim, foram somente idéias erradas – o show foi muito mais que isso!

* * *

Shows Achados e Perdidos
NOITE DE PAZ



E pra Zizi nada?! TUDO!

A primeira da noite foi a filha da compositora, Fernanda Duran. Com um puta vozeirão – aquela coisa bem jazz – ela cantou Castigo e O Negócio é Amar (música que poderia ser perfeitamente da Ângela RoRo). Logo em seguida veio outra da família: Izy Gordon, sobrinha de Dolores. De cara ela cantou Solidão - talvez, a melhor música da noite: a letra (aquela fosssa mais profunda que a das Marianas), arranjos com direito a solo de cello e a voz super sofrida. Fodíssima. Seguiu com Tome continha de você, uma cançãozinha bonitinha, fofinha, ínha e ínha. A terceira a subir no palco foi Luciana Alves. Não gostei. Achei fraca (e fresquinha, ainda por cima). Uma pena, porque Se é por falta de Adeus tem uma letra linda e poderia ter sido interpretada melhor por qualquer outra. Sai Luciana, entra uma mulher super pitchutchuca (menor que eu até), cabelo vermelho e sainha colegial roxa: Fernanda Porto. Se não fosse pela Zizi, seria a melhor da noite! Ela pegou as músicas lá da década de 50 e injetou drum’n’bass. Ficou super autêntico. Trèstyle, trèstyle! Já conhecia Fim de Caso interpretada pela Gal, mas a Fernanda e seu sax deixaram-na melhor (acreditem!). Eu já estava em êxtase com aquela cara de eu sou feliz quando... Linda, toda saliente num corpete preto, ares de Anjelica Huston e loira... Caiu a ficha: era a Zizi e eu ali tão perto, tão perto! Caralho... Gozei. Ela começou com Ternura Antiga junto com o cello sendo dedilhado (bom, já conhecem minha tara pelo instrumento, né). Depois cantou a animadinha Estrada do Sol – parceria de Dolores com Jobim. Pra terminar com chave de ouro 1000 quilates, as cinco cantaram Noite do meu bem. Catarse total! Noite de paz.

* * *

Peroletas com vinho e baixaria
PELA RUA ou O QUE É QUE EU FAÇO?


Fatos interessantes do show:

1) Logo que apagaram as luzes, percebemos alguns assentos improdutivos um pouco mais ao centro do palco, logo invadimos e (as)sentamos.
2) A Luiza chocolate-com-pimenta Possi estava na poltrona bem na nossa frente e não causou o menor furor. E ainda por cima estava acompanhada de um moçoilo com cara de nouveau riche posando de gatinho com uma câmera fotográfica que mais parecia filmadora. Tadinha, tava até falando Quer um autógrafo meu? -Não, mas será que você consegue um da tua mãe pra mim?
3) Cantei Feliz Aniversário pra Zizi. Nunca imaginei falar E pra Zizi nada?! com a própria no recinto.
4) Do SESC Pompéia até a Estação Água Branca rola um trechinho meio ‘rua deserta de filme de terror’. Descíamos a escada de uma passarela quando um gato preto cruza o caminho. Não me furtei o direito de cantar: Uuuuuuuu gato preto cruzoooou a estrada, passoooou por dibaixo da escaaada!
5) Já na estação Água Branca, tinha uns manos cidade-de-deus comprando e vendendo craque ali do nosso lado. Medo! E ainda avisava: ‘tá faltanu quatro real’
6) Em uma esquina próxima a um McDonald’s um jovem garoto espera a sua mamãe que vai busca-lo de carro, pois chove razoavelmente forte. O garoto traja uma baby look preta e segura um guarda-chuva marrom um tanto quanto grande. Um Alpha Romeo filmado passa e o motorista abaixa o vidro, olha e não fala nada. Alguns minutos depois o mesmo motorista (que deu a volta no quarteirão) pára e pergunta: Quanto é? O garoto, pagando de desentendido, responde com muita vergonha: Quanto é o quê? O motorista sobe o vidro do carro e sai arrancando. O garoto, então, começa a repetir mentalmente: EU NÃO TENHO CARA DE MICHÊ, EU NÃO TENHO...

* * *

CDs Achados e Perdidos
FIM DE CASO ou O NEGÓCIO É AMAR




Comprei numa promoção e acho que valeu a pena. Estou falando de Intuição do Pedro Mariano. Eu consigo pensar em várias coisas quando escuto a voz dele: serenata, pé-do-ouvido, cachorro que levou chute e fica chorando e finalzinho de orgasmo (aquele 'aaaaah' derradeiro). Olhando pra seleção de canções eu diria que é um álbum sobre fim de caso, mas com uma pitada de “bola pra frente porque o negócio é amar”, entenderam? Papai César Camargo Mariano deu o ar da graça em várias músicas – eu, pelo menos, adoro os arranjos dele (Ai cacete, alguém ai não quer comprar o Piano e Voz pra mim?). O CD tem momentos muito bons: Você vai ver (do Jobim em dueto com a Zélia Duncan), Preciso Dizer que te amo (ok, a versão da Zizi citando Jobim é melhor, mas o Pedro faz bonito também), Seja melhor (letra do Zoli com solo de violoncelo) e minha preferida 20 anos blues (letra meio saudosista, mas linda linda com César no órgão). É um disco super gostoso de ouvir, tudo muito encaixadinho.

* * *

Fragmentos Achados e Perdidos
SOLIDÃO


Versos de Dolores Duran, Cecilia Meireles e Arnaldo Antunes. Desculpem eu só citar Cecília, culpa do meu professor de Lit. Bras.

Este rugido das águas
é uma tristeza sem forma:
sobre rochas, desce fráguas,
vem para o mundo e retorna...(CM)

Vivendo para o sonho de esperar
Alguém que ponha fim ao meu tormento (DD)

E a névoa desmancha os astros,
e o vento gira as areias:
nem pelo chão ficam rastros
nem, pelo silêncio, estrelas. (CM)

Eu quero qualquer coisa verdadeira
Um amor, uma saudade,
Uma lágrima, um amigo (DD)

Qualquer coisa que se sinta,
com tanto sentimento deve ter algum que sirva.
Socorro... (AA)

Ai, a solidão vai acabar comigo (DD)

NOTA: Relaaaaxo!!! Quase uma semana depois eu resolvi postar! No Pictoria não tem nada de novo AINDA, mas aguardem. E respondendo: sim, Alexandre e João são co-autores deste Blog ahaaahah.


enviada por leo parvus



23/03/2004 14:32
Música achada e perdida
VERBETE ONÍRICO (Parte II)


Continuando a minissérie! A proposta agora é simples e menos viajante que o post passado. Em nome do clichê, João e Alexandre (praticamente co-autores deste Blog) responderam a duas perguntinhas musicais. ESPERO QUE FAÇAM O MESMO.

2. Seqüência de idéias soltas e incoerentes às quais o espírito se entrega; devaneio, fantasia.

Leo – Falando em sonho, eu vou cortar as perguntinhas bestas, tipo: com quem você passaria, pra que lugar você iria e blábláblá. Vamos pra coisas mais fúteis e bestas ainda! Por exemplo, imaginem quatro shows-sonho?

João – Ok...
1) Chris Cornell, Jeff Buckley e Rufus Wainwright com canções do Leonard Cohen, Joni Mitchell e Tom Waits numa sala de estar à meia-luz;
2) Tori Amos e Björk em alguma ruína de um templo romano;
3) George Michael com o repertório do Songs from the last century acompanhado por um cello, cravo e harpa em alguma ruela perdida de Viena;
4) Zélia Duncan e Zizi Possi cantando Cazuza e Renato Russo em um palco cheio de referências expressionistas à la Van Gogh acompanhadas por uma orquestra.

Alex – Agora sou eu: shows
1) da Bethânia num palco montado sobre o mar, declamando Cecília Meireles e cantando Chico e Caetano (com participações de Ângela RoRo e Nana Caymmi);
2) da Loreena McKennitt no meio da floresta de carvalhos na Bretanha (com participações do Chieftains e do Sting);
3) da Marina Lima na cobertura de qualquer prédio enorme de São Paulo (com participações de Fernanda Porto e Adriana Calcanhotto);
4) do R.E.M. num show para multidões (eu, claro, numa cadeira vip) com participações do Radiohead.

Leo – Já que vocês falaram em repertório. Qual seria uma música-sonho para vocês?

João – Mais quatro:
1) Cássia Eller cantando Ovelha Negra em dueto com a Adriana Calcanhotto;
2) Marisa Monte cantando Sou seu sabiá com Paulo Autran declamando Insônia do Álvaro de Campos;
3) Thom Yorke fazendo uma releitura radioheadiana de I don’t sleep I dream do REM com samples de Svfen-g-englar do Sigur Ros;
4) Billie Holiday, voz e piano, cantando A Case of You da Joni Mitchell.

Alex – Vamos lá... Hmm...
1) Versão masculina de Sob Medida que o Chico escreveria para o Ney Matogrosso cantar
2) Cigano do Djavan pela Marina Lima num arranjo “trilha de motel”;
3) Rita Lee misturando Gîta do Raul com Balada do Louco e Saramago declamando Caeiro;
4) Dolores O’Riordan do Cranberries cantando ao vivo You oughta Know da Alanis num daqueles surtos porra-loca dela.

***

Fragmentos Achados e Perdidos
VERBETE ONÍRICO (PARTE III)


Costurado de palavras misturando Drummond, Cecília Meireles, Fernando Pessoa, Chico Buarque e Clarice Lispector para falar do ideal da palavra e da poesia.

3. Idéia ou ideal dominante que alguém ou um grupo busca com interesse ou paixão.

Qual é mesmo a palavra secreta? Não sei é porque a ouso? Não sei porque não ouso dizê-la? Sinto que existe uma palavra, talvez unicamente uma, que não pode e não deve ser pronunciada. (C.L.)

Palavra, palavra
(digo exasperado),
se me desafias,
aceito o combate.
Quisera possuir-te
neste descampado, (C.D.)

Pastora de nuvens, por muito que espere, não há quem me explique meu vário rebanho.
Perdida atrás dele na planície aérea,
não sei se o conduzo, não sei se o acompanho. (C.M.)

Simplesmente não há palavras. O que não sei dizer é mais importante do que o que eu digo. Acho que o som da música é imprescindível para o ser humano e que o uso da palavra falada e escrita são como a música (C.L.)

Mesmo que os cantores sejam falsos como eu
Serão bonitas, não importa
São bonitas as canções
Mesmo miseráveis os poetas
Os seus versos serão bons (C.B.)

O poeta é um fingidor,
finge tão completamente
que chega a fingir que é dor
a dor que deveras sente (F.P.)

Insisto, solerte.
Busco persuadi-las.
Ser-lhes-ei escravo
de rara humildade.(C.D.)

Lutar com palavras
é a luta mais vã.
Entanto lutamos
mal rompe a manhã. (C.D.)

Eu canto porque o instante existe
e minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste(C.M.)

NOTAS

O FIM: A série do Sonho termina com esta 3ª definição. Mas quem quiser continuar no ritmo pode ir até a padaria e comprar alguns!

SERIA POESIA: Como disse, parei de escrever. A Mari pediu justificativa. Simples: poesia não se faz com choramingos, com punheta versada, com profundidade rasa. Não há razão de ser. Mas, mas... Ontem à noite, recebi uma "encomenda” pra falar da Rosa. Rascunhei na hora mesmo uns versos. O poema não é meu, não é sobre mim, mas fica aí o registro da exceção: VERMELHA LEMBRANÇA

PICTORIA: Tem FOTO NOVA apesar do sweet-ass do Fotolog: a montagem se chama RODA VIVA

POST SEM FOTOS Convoquei a equipe econômica e estamos estudando o impacto do déficit de memória para imagens. Não esperávamos essa política ortodoxa por parte do BC - Blig Central.


enviada por leo parvus



21/03/2004 00:27
Peroletas com vinho e baixaria
VERBETE ONÍRICO (PARTE I)


Na tentativa de falar sobre o SONHO, resolvi escrever “alguma coisa” inspirada em cada definição que o dicionário traz a respeito do vocábulo. Pra começar, relato uma 'viagem' que tive há alguns dias. Pra evitar a fadiga, este post será fragmentado.



1. conjunto de imagens, de pensamentos ou de fantasias que se apresentam durante o sono.

[Sala azul de uma estação de trem]

Eu: Preciso pegar um trem para Kalli.
Atendente 1: Me desculpe, senhor, mas não há trens para este lugar.
Eu: Como assim “não há”?. Meu filho, eu não quero saber se tem ou não, eu vou pra Kalli, tá entendendo? Dá um jeito. Te vira.
Atendente 1: Vá até o fim do corredor e procure o ................. (*)

Atendente 2: Pois não, senhor?
Eu: Escutaqui. Primeiro: pára de me chamar de senhor, porque tenho vinte anos e você não tem muito mais que isso. Portanto, sejamos práticos. Segundo: Vou pra Kalli e você só precisa me dizer como compro o ticket pra lá.
Atendente 2: Meu senhor, não há...
Eu: Me diz quanto é. Só isso, vai!
Atendente 2: São 3 piercings na mão.
Eu: Como assim?
Atendente 2: É só pôr 3 piercings na mão, senhor.
Eu: Já falei pra não me chamar de... Ah deixa pra lá! Me dá esses piercings aí.

[Furo com o próprio piercing aquela pele entre o dedão e o indicador]

Atendente 2: Muito bem. É só descer esta escada. Passe pelo guichê antes do embarque.

[No guichê]

Atendente 3: Seu ticket, por favor. [Entrego o ticket]
Atendente 3: Qual cigarro o senhor prefere?
Eu: Desculpe, não fumo.
Atendente 3: Você precisa fumar um único cigarro até o fim da viagem.
Eu: Deixa eu te explicar uma coisinha: eu to indo viajar MESMO, sabe... com mala [levanto e mostro minha mala]. Não é ESSA viagem que você tá pensando.
Atendente 3: Senhor, são regras da companhia. E é tabaco, se esta é sua dúvida.
Eu: Não tenho dúvida nenhuma. Onde já se viu?, vou ter que fumar pra poder viajar?
Atendente 3: O trem já está de partida e não posso autorizar sua passagem sem o cigarro.
Eu: Tá bom então. Me dá logo essa porra.

[Atendente entrega um único cigarro já aceso]

Atendente 3: A ................. (*) agradece a preferência e deseja uma ótima viagem.
Eu: Preferência? E eu lá tive esco... Ah deixa pra lá.

[No trem. Mendigo sentado ao lado]

Mendigo: Vai pra onde?
Eu: Pra Kalli.
Mendigo: Kalli? [Mendigo ri] Assim não se chega em Kalli.
Eu: Olha aqui, meu senhor, meu dia não tá dos melhores, tá bem? Até fumando eu tô [mostro o cigarro]. Eu só quero chegar em Kalli, portanto não enche, tá?!
[Mendigo ri]
Eu: Caralho, tem gente que nasceu pra pedir soco.
[Viro um murro na boca do mendigo e ele cai aparentemente morto]
[Recolho seus dentes que caíram e enfio na bolsa]

[Aviso do trem: Estação terminal ........... (*)]
[Desço revoltado e encontro um funcionário na estação]

Eu: Escuta, eu paguei pra chegar em Kalli. Esta aqui não pode ser a Estação terminal.
Atendente 4: Senhor, não há trens para este lugar.
Eu: Claro que tem, porra! Eu vou chegar lá, não me venha com essa conversinha aí!
Atendente 4: O senhor fumou durante toda a viagem aquele único cigarro, senhor?
Eu: Sei lá o que fiz com o cigarro.
Atendente 4: São as regras da companhia, senhor.
Eu: Pois eu quero falar com a companhia.
Atendente 4: Vá até o final do corredor, senhor.
Eu: Só uma coisinha: não me chame de senhor, pelamordideus!

[Há uma mesa no fim do corredor com uma mulher sentada]

Mulher: Pois não, senhor?
Eu: Por favor, né! Me poupe dessas frases... Ah, deixa pra lá. A senhora é a companhia?
Mulher: Sim, em que posso ajuda-lo?
Eu: Eu só quero ir pra Kalli! Só isso... Já cheguei até aqui.
Mulher: Senhor, não há trens para este lugar.
[Tiro os dentes da bolsa e os taco na mesa]
Mulher: Senhor, queira me acompanhar, por favor.

[Vamos para um salão todo verde]
[A mulher agora é um homem]

Homem: Senhor, eu precisaria ver sua cueca.
Eu: Isso também são regras da companhia?
Homem: Exatamente, senhor.
Eu: Regras tuas, então?
Homem: Exatamente, senhor.
Eu: Posso te contar uma historinha rápida sobre você?
Homem: Pois não, senhor.
Eu: Eu paguei três piercings para estar aqui [mostro os piercings], fumei e até recolhi os dentes. Agora preciso mostrar minha cueca pra companhia? EU SÓ QUERO CHEGAR EM KALLI!
Homem: Entendo, senhor. Agradecemos os dentes. Hã... Aguarde, por favor.
Eu: Muito bem, então.
[Homem sai]

Eu: Sempre essas frases certinhas do caralho. [Arranco os piercings, rasgando a pele]

[A sala fica azul]
[Eu sou o Homem e saio da sala]

Rapaz: Como posso chegar em ..... [a boca do rapaz se mexe, mas não há som]
Eu: Desculpe, ..... [digo algo que não escuto]. Não há trens para este lugar.

[Rapaz vira as costas e esbarra em uma mendiga]

Rapaz: Porra, olha por onde anda.
[Mendiga ri]
[Rapaz ri]


Eu [grito]: Moleque, vem cá! Espera!

[Rapaz corre]

Rapaz [grita]: To atrasado. Preciso pegar o vôo pra .... [a boca do rapaz se mexe, mas não há som].

[Desisto de correr]
[A Mendiga chora]


NOTAS
NO PRÓXIMO POST: as demais definições de Sonho.
(*) Os nomes foram apagados da minha memória, não lembro mesmo



enviada por leo parvus



16/03/2004 07:54
Livros Achados e Perdidos
A HORA DOS RUMINANTES




Li A Hora dos Ruminantes por obrigação – confesso - e sinceramente não gostei. Claro, tem seus predicativos, mas se a intenção do cara era falar de opressão havia outra metáforas mais instigantes que bois e cães invadindo uma cidade. Falar de como a humanidade enfrenta passivamente suas tormentas é interessante, mas simbolizar a problemática com invasões esdrúxulas... Afe, não gostei. Mas quem sou eu pra julgar as metáforas de José J. Veiga, não é mesmo? Gosto sempre de lembrar: sou apenas um garoto latino-americano que gosta de chá gelado. Porém, não posso dizer que o livro de nada me serviu (mesmo porque isto não existe). Como uma pernilongo-fêmea, eu vivo do sangue alheio pra alimentar meus filhos. Sendo assim, vamos soltar os bichos:

* * *

Peroletas com vinho e baixaria
A HORA DOS INSETOS VOADORES



A Libélula de minha vida não tinha Mistério

De antemão aviso: não há metáfora alguma nas linhas que seguem, tudo é tão literal quanto uma bula de remédio. Tenho ojeriza a insetos – em especial os voadores, por serem mais imprevisíveis. Ainda criança, levei uma libelulada no olho esquerdo. Eu – alegre e feliz – em minha bicicletinha ia no sentido bairro-centro, já a libélula loca – e provavelmente míope – ia em alta velocidade no sentido centro-bairro. Cai com a mão no olho. No colégio, havia uma pracinha próximo a escola. Gostávamos de ficar por lá conversando. Certo dia, o Julio me olha bem sério e diz: tem uma barata vindo aí. Pela calma do garoto nem dei importância, levantei o pescoço pra dar aquela olhadinha descompromissada. Eis vejo uma barata em altíssima velocidade vindo em nossa direção. Num salto à la ‘o tigre e o dragão’, posicionei o fichário que, em seguida, arremessei providencialmente sobre a ‘coisa’. Esta conseguiu escapar e – pior – correu em minha direção (acreditem: elas são vingativas). Resolvi, então, cursar Letras na Fundação Santo André, onde há praticamente uma floresta tropical nas imediações. Não chequei antecedentes insectais, nem nada. Pequei pelo descuido, como podem ver. Ano passado, esperava – ainda alegre e feliz – pela perua junto com uma colega, Vivi. Um besouro pousou bem no braço dela; por instinto ou sacanagem, ela jogou o animal na pessoa ao lado – no caso, eu. Neste momento, baixou ‘a’ bicha desvairada: mais parecia uma entidade hindu de mil braços de tanto que chacoalhava o par que tenho (não, eu não era o Michael Stipe no clipe de Losing My Religion). Este ano, fomos abençoados com uma sala estrategicamente posicionada. É até bonito à primeira vista: janelas abertas, aquele cheirinho bom de terra e vento noturno – uma coisa quase árcade. Mas deixem a Arcádia e vamos partir logo pro Cortiço: o pacote bucólico inclui visitas diárias de uma dúzia de bestas voadoras (sim, vou utilizar o termo ‘besta’ pra dar um toque mais apocalíptico). Todas as espécies, filos e famílias. Lá está a professora de Psicologia (incrivelmente parecida com minha mãe – fisicamente, eu digo!) falando das 'nomenclaturas’ para crianças excepcionais, especiais, deficientes, enfim... E, de repente, aquele som de micro-asa batendo, aquele barulhinho de helicóptero de brinquedo... têtêtêtêtêtêtê... E lá vai ela.... têtêtêtêtêtêtê.... E cá volta ela. Esses bichos não fazem distinção alguma: pousam em decotes, na cara, no pescoço (ai, que horror!), nas pernas, nos braços (aliás, os braços são de praxe), em todos os lugares. Às vezes você nem percebe e é avisado pelo colega: tem um bicho em você – o que, via de regra, é pior: só faz aumentar o desespero. E aí quando você retoma a consciência percebe que está empunhando um bloco de fichário, como se fosse a arma mais letal do mundo, com aquela cara de guerreiro medieval combatendo dragões (inclusive com a respiração alterada) e a sala estática (o que inclui a professora) olhando para tua cara e se perguntando: pra que tanta quizumba se o bicho é minúsculo? Realmente não sei. Mas isto tem pouca importância. O que é fato: os insetos estão invadindo nossas vidas e estamos a recebe-los passivamente. Fiquem atentos! Eles estão nos dominando.

* * *

Filmes Achados e Perdidos
A HORA DOS PEIXES




Ow coisa fofa! Prometi e, por fim, vou falar do meu achado: o Nemo. Pois é, eu o encontrei – como se isso fosse ‘a’ novidade. Mas repito: ow coisa fofa! Que filme mais bonetinho, não acharam? A nadadeira especial do Nemo, a Dory com aquela amnésia da memória recente(isso mesmo: como o Leonard de Memento), o baleiês (o melhor!), os tubarões nos carnívoros anônimos, as tartarugas chapadas e o camarão francês. É tudo tão engraçadinho. Eu gostei, viu! Uma gracinha – como diria nossa quase-múmia Hebe. Concorreu merecidamente ao Oscar de melhor roteiro – moralizante, mas bem feitinho. E venceu – agora não sei se com mérito – o de melhor Animação (sei que é superior a Brother Bear, agora Triplettes eu não vi). Os peixinhos invadiram minha telinha, mas tudo bem.

O trabalho com adjetivos no diminutivo não foi proposital, percebi agora na releitura.

* * *

Filmes Achados e Perdidos II
A HORA DAS TIGRESAS



Uma tigresa de unhas negras...

Sábado à noite: a xepa da locs. Quaaaase naaaaada pra escolher. Vejo lá no cantinho: Madame Satã. Opa! É este mesmo. Já conhecia a sinopse: a vida de João Francisco – figura lendária da boemia carioca, transformista, homossexual, capoeirista, pai adotivo e blablabla. Falou-se muito do Lázaro Ramos (aquele lá do Sexo Frágil) e realmente ele está super convincente. Mas algumas coisas me desagradaram: o filme é escuro (não sei exatamente o intuito disto, mas eu não gostei). O roteiro pecou também: pelo andar da carruagem, falar de Madame Satã era bem mais interessante do que falar de João (a história se apega ao período ‘pré-satânico’); o seu grande amor – um moçoilo chamado Renato – entra e sai da história e a gente fica lá no “e ae?”; o filme adota o “vamos escancarar para mostrar que não há pudores ou preconceitos” (o que, na minha opinião, deixa as coisas meio artificiais). Não sei não, viu. Poderia ter sido melhor, afinal fica a impressão que se tratava de uma figura forte e rica, uma coisa meio de orixá: baixou o santo e o homi virava o bicho – ou a tigresa. Mas enfim... De Madame Satã mesmo apareceram dois números musicais chupados do “Vivo” do Ney Matogrosso ahahahah.

* * *

Fragmentos Achados e Perdidos
A HORA DOS VAGA-LUMES




Estou disposto a mergulhar em Cecília Meireles – é, meus caros... o prof. de Literatura não alivia, não. Estou lendo Mar Absoluto e já estão na fila “Vaga Música” e “Viagem”. A poesia da Cecília é bastante constante. A idéia do fugaz se repete. A ausência de explicações para a vida também se repete. Conforme você vai avançando as páginas estas imagens crescem, crescem e crescem dentro da tua cabeça. Você fecha os olhos e vê centenas de vaga-lumes invadindo seus pensamentos. Todos eles com o mesmo brilho fugidio. A luz que não ilumina. Mas a gente observa o espetáculo.

“Aqui está minha vida – esta areia tão clara
com desenhos de andar dedicados ao vento.

Aqui está minha voz – esta concha vazia,
sombra de som curtindo o seu próprio lamento.

Aqui está minha dor – este coral quebrado,
sobrevivendo ao seu patético momento

Aqui está minha herança – este mar solitário,
que de um lado era amor e, de outro, esquecimento”


Este poema se chama Apresentação” – apropriadíssimo para um primeiro post de muitos sobre a autora. ahahahahha

NOTAS

SERIA POESIA: Parei de escrever! Não sei quando volto.

PICTORIA: A foto desta vez - na verdade, é uma montagem - tem um quê de timidez com referências ao Pessoa (claro!) e à Cecília. A montagem se chama TÍMIDA EXPRESSÃO

VISITAS: Desculpem a minha ausência, mas o tempo tá curto. Minhas crianças estão me consumindo – e eu adorando! Prometo que visitarei todos em breve!!!


enviada por leo parvus



09/03/2004 19:03
Peroletas com vinho e baixaria
CHAVE-FALSA




A rotina é poesia menor. A rotina se vale de metáforas óbvias, de rimas fáceis, de versos chorados, de versos humanos. Na poesia cotidiana não há segredos existenciais. Tudo é tão palpável, tão acessível, tão simples como chorar a perda e rir a conquista. A poesia que existe em minha natureza é de um romantismo dado a pieguices vãs, é cantada nas praças, nas sacadas, nas rodas de samba, no mundo. Se arte fosse, minha poesia teria versos ridículos e minhas telas, tons crepusculares. La vie en rose. Se escritor fosse, diriam os críticos: trata-se de um rococô (sic). Digo tudo isso porque há dois dias achei uma chave no meu armário. Uma chave esquecida. Ora, uma chave esquecida é uma chave esquecida, certo? Errado. Um legítimo barrocoso-rococô pensaria coisas mais ou menos assim: Pelos deuses, eu tenho uma chave e não lembro de onde? Percebeu a tensão? Eu sou capaz de abrir portas, mas não sei o que abrir. Céus, que sensação mais horrível! Encontrar uma chave esquecida é ter a certeza que há algo trancado esperando que eu abra. Esperando, como espera ao messias que esqueceu seu santíssimo carma. Esqueci meu santíssimo carma. Falhei! Carregar uma chave pode parecer trivial, mas existe o risco de condenar algo ao claustro, onde, para sermos otimistas, só nascem pérolas – irônicos monumentos à dor. A beleza das celas está em suas portas abertas. Mas eu... Eu esqueço de tudo isso. Esqueci e por isso suspeito que minha chave já perdeu seu propósito. Esqueci que uma chave esquecida é a tomada de consciência para realidade alguma; é acordar para sonhar; é um imperativo em seu mais perfeito dos futuros do pretérito; é estar e nunca ser. 'Aquilo que é’ obedece a sua natureza: chaves são chaves para que tudo possa ser aberto e fechado. No entanto, nem tudo nasceu para responder ao chamado de seu fado. Para estes casos, nossa humanidade criou chaves-falsas. Posso, então, dormir tranqüilo, pois sei que uma das falsas se encarregará espontaneamente de abrir o que quer que a minha, das verdadeiras, tenha fechado. Salve chave-falsa, consolo da antinatureza! Procure todos os grilhões cujas chaves foram esquecidas por opção ou acaso. Procure todos os barrocosos-rococô que não sabem se voam ou se engaiolam, mas sabem, contudo, como é triste encontrar chaves esquecidas em um armário.

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Peroletas com vinho e baixaria II
O CARA QUE GOSTA DE CHÁ GELADO E INCENSO DE LÓTUS


Nos últimos dias, um certo cara que gosta de chá gelado e incenso de lótus foi capaz de:

- Bater com o dente num copo enquanto deu aquela inclinada com a cabeça durante uma risada.
- Quase ser capado durante um protesto na faculdade.
- Andar feito uma drag-queen no começo de carreira subindo uma ladeira em dia de enxurrada com o sapato novo.
- Provar um molho de rabanete com gengibre e gostar.
- Fazer um trecho de 10 minutos em 40 por causa do trânsito para assistir menos de 2 horas de aula.
- Despencar com cadeira e tudo num degrau minúsculo de um barzinho.

E melhor o de tudo:
- Escutar de um aluninho de sete anos: ah tcheacher, mas eu não quero ir embora. Quero ficar mais, pode?

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Shows Achados e Perdidos
AVON WOMEN IN CONCERT



Ói que bonetinho o logo

Foi um show sem grandes surpresas. Mas quem precisa de surpresas com Rita Lee, Zélia Duncan e Paula Lima juntas? Algumas músicas já estavam batidas: Catedral e Amor e sexo. Tocou demais, né! Por outro lado: Me Revelar, Ovelha Negra e Doce Vampiro são canções que eu certamente incluiria se mandassem eu fazer a seleção. Gostei dos encontros – óbvio – em Pagu (Zélia e Rita), Lá vou eu (Zélia e Paula) e Todas as mulheres do mundo (com as três). A orquestração ficou bem legal também em Jura Secreta da Zélia.


(esq. Nóis ae! dir. O surtado de camiseta branca)

Frases perdidas durante o show:
[loka gritando “Shiiiine’ pra cachorra] “Essa aí grita no tom que só os cachorros escutam”
“Reparou que a dona vai pra um lado e a cachorra vai pra outro?” “Ela quer se libertar, né!”
[rodinha canta Jumento Celestino do Mamonas e um surtado grita] “Aê Rauuuuuuuul”
“Nossa, baixou a Marisa Monte na maestrina” “Baixou a Cinderela
“Meu, pode chamar a Paula Lima de a do decote” “Ou a do cabelo
“Você entendeu essa história dos 30 anos?” “Não”
“Santa Clara?” “Afe, minha mãe colocava ovo no telhado pra Santa Clara clarear
“Alô, Rê? Eu to aqui do lado esquerdo perto do meio.... Eu falei lado direito? Não, não. É esquerdo mesmo.... Isso.... Perto do meio.”
“Cara, Rita Lee é bruxa. Olha o céu!” “To falando a culpa é dela”

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Fragmentos Achados e Perdidos
ESTRANHEZA DE ELIS




No ritmo de Dia da Mulher, vou colocar uma frase da Elis (transcrevo de memória, ok?). Ela dizia algo como:

As coisas andam estranhas ultimamente. As pessoas estão com medo de demonstrar que gostam das outras. Aí inventam a timidez. Aí dizem que estão sem tempo para falar que gostam dos outros.

A estranheza de Elis é a minha também. Isto pode parecer óbvio, mas Pimentinha me convence sempre. Ela tinha uma sensibilidade admirável (e cada vez mais as pessoas se esquecem de sentir o mundo, não?). Tudo em Elis era muito à flor da pele e por isso que adoro “essa mulher”. Bem-aventurados os exagerados, porque deles é o reino das Nuvens!

Essa menina, essa mulher, essa senhora
Em que esbarro a toda hora no espelho casual
É feita de sombra e tanta luz
De tanta lama e tanta cruz
Que acha tudo natural

(Essa Mulher por Elis)

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NOTAS

SERIA POESIA: É parece que finalmente consegui escrever um seria-poema: LUCRO

PICTORIA: A foto da vez foi tirada no domingo. Créditos por Luiz Blog.Lap. No centro da foto está um ponto chamado MAESTRINA CINDERELA

POST ALTAMENTE-GRANDE: Putz... Foi pra compensar!


enviada por leo parvus






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